
Hoje venho apresentar a entrevista que dera com Mariza Martins autora do livro que eu fiz do seu livro Irmandade. Eu gosto imenso deste livro e o Destino Celestial, e não é a primeira vez que entrevisto está fantástica escritora. Espero que gostem. E Mariza parabéns pelo teu segundo livro.
1. Para começar: mais um livro. Como sentes depois de publicar Destino Celestial, estares com o teu segundo livro?
M: Sinto-me muito bem por ter conseguido criar e publicar mais uma estória. É curioso, porque depois de ter enviado a obra para a minha editora, comecei a ficar um pouco preocupada por estar quase a partilhar estas personagens com os leitores. Comecei a sentir ciúmes e um bocadinho de inveja, na verdade (risos). É que estas personagens estiveram tanto tempo comigo e ensinaram-me tanto... Por momentos, queria tê-las só para mim; queria guardá-las. Queria que fossem somente minhas. No entanto, cheguei à conclusão que isso era uma tolice e que colidia com o meu objectivo enquanto autora. Obviamente que não quero as minhas estórias na gaveta. Quero partilhá-las, mas foi muito curioso ter sentido isso que, aliás, não me tinha acontecido com o Destino Celestial.
2. Como surgiu a ideia de Irmandade?
M: Bom, a ideia surgiu-me após ter escrito os primeiros capítulos de Destino Celestial. O que significa que a Irmandade nasceu, na verdade, há seis anos atrás. À medida que escrevia o meu primeiro livro, surgiu-me uma personagem nova com um nome peculiar, Jade. Pensei que ela fosse uma personagem para inserir no Destino Celestial, mas rapidamente ela fez-me entender que não tinha nada a ver com a energia do meu primeiro livro. Normalmente, quando me surge uma personagem, entro em diálogo com ela como se fôssemos duas estranhas que se querem conhecer. Então, ela disse-me que era muito bonita, muito poderosa, muito sedutora, rebelde, orgulhosa dos seus cabelos rubros. E depois disse-me que usava um colar, cujo pendente era uma pedra jade e, por usá-lo, tinha sido raptada pelo chefe de uma restrita comunidade de humanos que se conseguia transformar em Dragões. Também me disse que esse chefe se chamava Ruby e que ele estava obcecado por ela... Foi assim que a estória me surgiu e, ao longo destes anos foi sendo escrita e reescrita. Na primeira versão da estória, Jade não tinha um passado tão complicado quanto o da versão final e Ruby era, na realidade, uma mistura das personagens finais Cedric e Félix.
3. Que simbolismo tem a pedra de Jade? Para ti e para a personagem?
A pedra da Jade e os criatais das restantes personagens estão intimamente ligadas à personalidade de quem os possui. Para isso, tive de pesquisar o simbolismo por detrás de cada cristal. Assim, fui à procura do que cada cristal significava para Culturas e Civilizações Antigas (outra das minhas paixões) e, especificamente, para a pedra jade foquei-me na Civilização Egípcia Antiga. Sumariamente, para os Antigos Egípcios, jade era uma pedra ligada ao amor, ao equilíbrio e à paz interior. Quem já leu Irmandade, sabe que a Jade tem dificuldade em lidar com emoções, especialmente as que Cedric faz despertar nela e é atormentada por acontecimentos do passado que a marcaram. Portanto, a sua pedra representa metaforicamente os desafios e a viagens interiores que Jade deverá fazer...
4. Porquê Draco? O que significa em si Draco?
Inspirei-me no mito greco-romano de Draco (um Dragão) que, derrotado pela Deusa Minerva, fixou-se nos céus gelados do Pólo Norte. Que melhor local para os meus Dragões viverem? (Risos).
5. Como eles são em Draco, apenas dragões, ou corpos etéreos ?
Foi ao renascerem na Terra que conheceram o seu corpo humano. Em Draco, os habitantes da Irmandade apenas existiam em forma de Dragão. Por isso, todos aqueles que povoam essa constelação vivem na forma de Dragão.
6. Como foi escrever o segundo livro?
Foi óptimo! Foi uma estória que exigiu muito mais de mim, do que o Destino Celestial. No meu primeiro livro, existia apenas a perspectiva da Brenda. Em Irmandade, existem vários narradores e todos eles muito distintos. Este facto exigiu que me fragmentasse o mais possível para conseguir, através de mim, dar voz directa a tantas personagens. Para além disso, foi um desafio tentar entrar na mente de um homem. Aliás, na mente de quatro homens bem complexos: Ruby, Cedric, Félix e Brandon. É bastante diferente a maneira como os homens e as mulheres experienciam. Os detalhes em que reparam, a linguagem que usam. Tentei que essas diferenças fossem verdadeiras e plausíveis. E não podia deixar de referir a carga psicológica de algumas personagens. A Jade foi das personagens, até agora, que me deu mais trabalho a construir. Mas como a amo muito, perdoo-a pelos gritos e lágrimas que ela me fez libertar.
7. Que simbolismos usaste para criar Irmandade?
Para além das mitologias e de pequenos detalhes que me inspiraram nas Civilizações e Mitologias Antigas, o contacto tão próximo com a Natureza que os habitantes da Irmandade sentiam, inspirou-se também na Religião Pagã. Quando na tua review, mencionaste celtismo, identificaste bem essa base. Por exemplo, os rituais da cerimónia de Jade e Cedric foram, claramente, inspirados numa cultura mais pagã e celta.
8. Porque é que um Dragão tem tantas vidas?
Que conceito usaste para aplicar o termo Fénix?
Bem, já se percebeu que sou amante de Mitologia, portanto não será de admirar que a regalia dos meus queridos Dragões de Fogo foi inspirada no mito Clássico da Fénix renascida. E todos conhecemos o mito, não é verdade? Achei que seria engraçado, os Dragões de Fogo poderem renascer das cinzas provocadas pelo seu próprio Elemento.
9. Que próximos projetos tens em mente?
Escrever a minha tese de Mestrado (risos) e retomar a escrita do meu terceiro livro.
10. Como é que as pessoas estão a reagir ao teu livro?
A maioria dos leitores gostou mais de Irmandade do que de Destino Celestial e deram-me os parabéns pela evolução. Por outro lado, também já recebi comentários de amigos que gostaram mais da estória do meu primeiro livro. Gosto sempre de saber o que os leitores gostaram ou não gostaram e de saber os porquês. Isso ajuda-me enquanto autora.
11. Depois de escreveres Destino Celestial que diferenças vês em ti desde que publicaste Irmandade?
Sinto-me mais madura e penso que isso se reflecte na escrita. Acho que, ao conhecer-me cada vez melhor, também sou mais capaz de escavar e escavar o interior das minhas personagens. Estou, inclusivamente, mais confiante nas minhas criações e menos vulnerável. Existem pessoas que me querem ajudar, mas também existem pessoas que me querem ver fracassar, que me querem atrapalhar a concretização dos meus sonhos. Quem me conhece sabe não irei desistir. É-me contranatura.
12. Qual é o maior receio que tens?
É curioso teres perguntado isso. Há uns anos atrás, aquando da publicação de Destino Celestial, perguntaste-me qual era o meu maior medo e eu respondi «o meu maior medo passa por desiludir os outros e não concretizar todos os meus sonhos. Tal como o meu Mestre "tenho em mim todos os sonhos do mundo». Já não tenho medo de desiludir os outros. O que os outros dizem ou pensam já não me afecta como outrora. O mais importante é sermos autênticos a nós mesmos e termos a nossa consciência limpa.
Porém, continuo a temer não ter tempo para conretizar todos os meus sonhos. É que a minha lista é longa, longa...
13. E irá haver um segundo livro da Irmandade? A minha personagem preferida é o Ruby, se houvesse um segundo livro que estás a pensar em revelar sobre ele?
Não me faltam materiais para um segundo livro. É possível que daqui a uns anos publique um segundo volume de Destino Celestial e de Irmandade. Repito: daqui a uns anos. De momento, estou com muita vontade em escrever o meu terceiro livro que será bastante diferente do que tenho vindo a apresentar.
Ainda bem que gostaste do Ruby! Ele é muito importante para a estória. Sem
ele, não existiria Irmandade, porque todas as personagens continuariam a viver em Draco. Seria interessante saber como tudo começou, verdade? (Risos).

Bastante interessante, estou ansiosa para mais novidades e tenho certeza queo proximo ainda será mais impressionante.